domingo, 14 de maio de 2017

Um passeio de barco pela Baía de Tokyo

Uma viagem de casal não seria completa sem alguns passeios mais românticos, certo? Se você está pensando em levar sua alma gêmea para Tokyo algum dia, vale a pena fazer um passeio de barco pela Tokyo Bay, e ver a cidade ao longe enquanto navega pelas águas nipônicas.


Eu, o único com cara de ocidental no rolê - algo que se repetiu muitas vezes durante a viagem...

Foi muito simples agendar o passeio. Fiz tudo pelo site da Voyagin, uma agência de turismo que oferece vários programas na Ásia com reservas online, com informações em inglês. Chegando no dia do passeio, nos dirigimos ao Sea Fort Square, que ficava bem perto de uma estação de metrô da Rinkai Line.




Optamos pelo cruzeiro noturno, pensando na vista da cidade iluminada. De fato, ver os prédios iluminados, além de pontos turísticos como a roda-gigante de Odaiba e a Rainbow Bridge, é uma experiência fascinante, que, infelizmente, não se traduz pelas fotos (que não ficaram lá essas coisas, admito...). Além do mais, foi uma maneira bem relaxante de terminar o dia de muita camelada pela cidade.



Passando por baixo da Rainbow Bridge

Um fato curioso é que imaginávamos um passeio repleto de turistas, mas, talvez pelo horário noturno pelo qual optamos, aparentemente éramos os únicos estrangeiros – com certeza os únicos ocidentais, pelo menos. Muitos dos passageiros vestiam roupas de escritório, e provavelmente eram “tokyoites” que foram curtir uma noite de sexta após uma semana cansativa.


Para completar o clima, uns bons drinks

Era possível ficar dentro do barco curtindo o bar, ou na parte de cima, sentindo a brisa do mar

Saiba mais:

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Omoide Yokocho: um dos becos gastronômicos de Tokyo

Caminhávamos em Shinjuku em busca do portal de Kabukicho (assunto do post anterior), quando acabamos entrando em uma ruela repleta de pequenos restaurantes em que se come no balcão (estilo izakaya). Tratava-se do Omoide Yokocho, ou “Rua da Memória”, que depois descobrimos se tratar de um ponto turístico bem tradicional que remete à época pós Segunda Guerra.




segunda-feira, 25 de abril de 2016

Shinjuku: onde a multidão nunca para

Shinjuku, assim como Shibuya, é um dos distritos que compõem a área mais comercial de Tokyo. Basicamente, em nossa visita, o que vimos foi isso: um emaranhado de lojas e mais lojas, que se espalhavam por prédios ou butiques para todos os estilos. Para o turista ocidental, mesmo que você não planeje comprar roupas, acessórios e perfumes, vale a visita para observar a multidão que caminha pelas ruas de aspecto metropolitano, à luz dos letreiros multicoloridos das lojas.

A região é uma das mais economicamente ativas de Tokyo, com prédios que abrigam escritórios de grandes empresas japonesas e também estrangeiras que exercem atividades no Japão. A estação Shinjuku é a mais movimentada do mundo de acordo com o Guinness – o livro dos recordes -, com uma média diária de 3.64 milhões de passageiros. É gente pra caramba trabalhando e consumindo  nos 18 quilômetros de área do distrito.




domingo, 27 de março de 2016

Shibuya: a Times Square japonesa

Harajuku e o Meiji Jingu, pontos comentados nos posts anteriores aqui do blog, fazem parte do distrito de Shibuya, no centro de Tokyo. No entanto, a região mais conhecida tipicamente pelo nome “Shibuya” é composta pelas ruas que circundam a estação Shibuya de metrô, reunindo muitas grifes, lojas de departamento gigantescas, restaurantes e cafés estilosos e o “Shibuya Crossing”, um dos cruzamentos mais famosos do mundo.



Onde está Wally?

domingo, 13 de março de 2016

Tower Records Shibuya: o paraíso dos colecionadores de CDs

Já que no último post falei de um lugar relacionado à música, vou continuar com esse tema, contando um pouco sobre uma parada obrigatória para os fãs de música em Tokyo (principalmente se você ainda mantém uma coleção de CDs ou DVDs de shows): a Tower Records Shibuya.




quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

LEMONed Shop: uma loja em Harajuku para os fãs de J-Rock

Continuando o relato sobre o passeio em Harajuku, neste post irei comentar sobre uma loja específica que visitamos na Takeshita Dori: A LEMONed Shop, loja da grife criada pelo músico japonês hide (o nome é estilizado com h minúsculo mesmo). A visita a essa loja deu início a uma série de eventos relacionados ao rock japonês (rotulado de forma genérica no ocidente como “J-Rock”) no roteiro da viagem, mas, antes do relato, vamos a um pouco de história:

Sou fã de J-Rock desde meus anos de ensino médio – ano 2000 para ser mais exato -, quando um amigo nissei me apresentou alguns CDs de bandas como L’Arc~en~Ciel, GLAY e X Japan. Desde então foi uma descoberta atrás da outra, motivado pelas sonoridades diferentes, pela qualidade das músicas e, em alguns casos, pelo visual inusitado dos artistas. Logo fiquei fã de um artista que reunia todos esses pontos: hide - guitarrista, e posteriormente cantor, que fez fama por lá na década de 90 e, mesmo quase 20 anos após sua repentina morte, ainda hoje tem muitos fãs espalhados pelo mundo, graças ao poder da Internet.

Hideto Matsumoto, ou simplesmente "hide"


Quem foi hide?

hide fez fama inicialmente como guitarrista do X Japan, uma das bandas pioneiras do estilo visual kei, que é descrito por muitos como uma versão japonesa do glam metal dos anos 80. As bandas desse estilo misturavam rock pesado e dançante com um visual extravagante, trazendo muita influência do teatro kabuki, em que homens com maquiagem representavam também os papéis femininos. Apesar de o X Japan ser liderado pelo baterista e pianista Yoshiki, que escrevia praticamente 99% das músicas, hide se destacava por contribuir sempre com ideias de arranjos, tendo escrito também algumas canções impactantes para o repertório da banda, como Scars, Celebration, Joker e Miscast.


Seu cabelo cor-de-rosa e extravagante lhe rendeu o apelido “Pink Spider”, que acabou se tornando o título de uma das músicas mais conhecidas de sua carreira solo (vídeo abaixo), onde cantava e escrevia todas as músicas, além de gravar as guitarras e linhas de baixo da maioria. Essa carreira solo teve início em 1993, após alguns anos amadurecendo como artista dentro do X Japan, porém trazendo um som mais moderno e experimental, resultando no estilo Psyborg Rock, como foi descrito na época.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Harajuku: onde a regra é ser diferente

“Ichi ni san ju... All the way from Harajuku”, assim diz a música Space Monkey Punks from Japan, da banda Zilch (um dos projetos do lendário guitarrista japonês hide, do qual vamos falar um pouco no próximo post). O título da música relacionado a Harajuku não é à toa, pois esta região de Tokyo é O LUGAR para ver pessoas com visuais inusitados e espalhafatosos, como cosplayers, lolitas, góticos, punks e adeptos do visual kei. Inclusive há uma loja da prória grife fundada pelo hide (também assunto do próximo post). Deixo o link da música a seguir, como trilha sonora para esta leitura.


Muitos dos representantes dessas tribos urbanas se reúnem no Yoyogi e depois vão dar uma volta na Takeshita Dori – rua localizada bem em frente à estação Harajuku de metrô, e que reúne uma penca de lojinhas e estandes com os mais diversos produtos, incluindo roupas, acessórios e objetos de decoração.





domingo, 6 de dezembro de 2015

Meiji Jingu: um oásis de paz no centro de Tokyo



O Santuário Meiji, ou Meiji Jingu é o principal templo de Tokyo e um local indispensável para visitar na cidade. O templo, inaugurado em 1926, fica localizado na movimentada região de Shibuya, muito próximo ao distrito fashion de Harajuku e anexo ao Parque Yoyogi – um ponto de encontro das tribos urbanas, como cosplayers e rockabillies. Mesmo com tantas opções com mais “cara de Tokyo” para visitar, resolvemos iniciar nosso primeiro passeio diurno no Japão (após a noite em Ikebukuro) visitando o santuário, para pedir bênçãos para a viagem e fazer uma oração de agradecimento pela oportunidade.

Yoyogi Park e Meiji Jingu: um colado no outro (Fonte: Wikimedia)

Viu só? (Fonte: Google Maps)

Caminhando a partir da Estação Harajuku
Caminhando a partir da Estação Harajuku
Entrada principal do Meiji Jingu
Impressionante torii na entrada principal

domingo, 22 de novembro de 2015

Ikebukuro: uma opção além do óbvio em Tokyo

Quando se fala em Tokyo, o primeiro nome de uma localidade famosa que vem à mente não costuma ser Ikebukuro. Mas, quando estávamos procurando por hospedagens na capital japonesa para o primeiro trecho da viagem, nos depararmos com essa opção de bairro muito mais viável que os distritos mais centrais e mais populares, como Shinjuku e Shibuya.



Apesar de não ser uma região muito familiar para os estrangeiros, Ikebukuro apresenta características interessantes como uma opção de estadia em Tokyo: é um grande centro comercial e de entretenimento, reunindo grandes lojas de departamento (depaatos, lojas japonesas de múltiplos andares que mais parecem mini-shoppings), arcades e restaurantes, e possui uma grande estação de trem atendida por muitas linhas. Difícil não se encantar ainda com as ruas estreitas que cortam as avenidas largas e movimentadas, dando um ar misto de cidade grande e de interior.





segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Live report: VAMPS em São Paulo

Começando este novo blog com um post sobre uma banda japonesa tocando no Brasil. Caso você goste do texto, não deixe de assinar o feed do blog, pois irei publicar muita coisa bacana sobre o Japão e a cultura japonesa a partir do final de outubro, incluindo relatos de viagem (ao Japão, claro). Também vai ter muita coisa sobre rock japonês, uma das minhas manias já há 15 anos. Então, não deixe de passar por aqui caso você queira ler mais sobre J-Rock. Passada a  introdução, vamos ao que interessa:


KAZ e Hyde

A banda VAMPS

Caso você já esteja familiarizado com a banda, pode pular direto para o relato do show, mais abaixo.
VAMPS é um grupo de J-rock um pouco diferente do habitual, pois foi pensado desde o início com foco no público internacional. Esse foco se destacou mais nos últimos dois anos, quando a banda lançou uma coletânea com regravações de várias músicas em inglês, passando a cantar majoritariamente neste idioma nos shows internacionais, que movimentam grande parte (se não a maior parte) de sua agenda.

A banda foi oficialmente formada em 2008 por dois pesos pesados do J-rock: Hyde (vocalista do L’Arc~en~Ciel, uma das bandas mais populares do Japão) e KAZ (guitarrista da banda Oblivion Dust, que fez certo sucesso nos anos 1990 no país, trazendo já um rock mais puxado para o “estilo ocidental”; KAZ também tocou no Spread Beaver, banda que acompanhava a carreira solo de hide, cultuado falecido guitarrista do X Japan).

A parceria de Hyde e KAZ começou em 2003, quando o guitarrista ajudou nos arranjos e na produção de dois álbuns solo do vocalista: 666 e Faith, ambos trazendo uma pegada muito diferente do álbum Roentgen – primeiro projeto solo de Hyde, que trazia um som mais melódico e com arranjos mais elaborados, ainda muito semelhante aos hits do L’Arc~en~Ciel. Aliás, se você gosta de L’Arc, vale muito a pena conferir esse disco, que conta inclusive com uma versão com as letras em inglês.




Em 2008, os caras resolveram “oficializar a união” (brincadeiras à parte) e criar a banda VAMPS, dando continuidade à sonoridade daqueles dois primeiros discos da parceria. Mas a partir daí parece que os caras passaram a pegar ainda mais pesado no estilo das músicas. Tocando em afinação baixa, com leves toques eletrônicos (influência de Nine Inch Nails) e vestindo totalmente a camisa da temática vampiresca, sempre com roupas pretas e elementos que lembram esse “universo Hemlock Grove”, digamos assim.

Com o nome de peso de Hyde – um ídolo pop em seu país e entre os fãs de J-music mundo afora – não foi difícil alavancar a banda logo no lançamento do seu primeiro single, I Gotta Kick Start Now. Mirando o público internacional, Hyde – acostumado a lotar estádios no Japão – parece satisfeito em voltar aos dias de banda iniciante, tocando em casas de show menores e festivais nos EUA e na Europa. Até no Chile eles já haviam tocado em 2010, ficando devendo uma passagem pelo Brasil e demais países da América Latina.




O show em São Paulo

Realizado no domingo, 27 de setembro, no Cine Jóia, um antigo cinema da comunidade japonesa transformado em casa de shows com estilo vintage no bairro da Liberdade, o show atraiu um público não muito volumoso, já que a casa tem capacidade para pouco mais de mil pessoas e estava ainda com certo espaço no fundo – provavelmente resultado da má divulgação do evento, que não foi muito além do Facebook. No entanto, o que faltou em lotação sobrou em animação dos fãs e da banda. O público brasileiro mostrou mais uma vez porque é considerado o mais entusiasmado público do mundo.

Reprodução Facebook VAMPS

Palavras de quem já assistiu a algumas bandas japonesas ao vivo: Os músicos japoneses costumam ser muito profissionais e perfeccionistas. Essa regra foi seguida à risca pelo VAMPS, com músicos de apoio que trazem na bagagem anos de estrada, como o baixista Ju-Ken (conhecido por ter tocado na banda do cantor Gackt por muitos anos), que, aliás, é um show à parte, esbanjando presença de palco e interação com o público.

O baterista Arimatsu e o tecladista Jin (que também mandava ver na percussão eletrônica em algumas músicas, adicionando uma sonoridade “metálica”) também esbanjaram habilidade. Destaque para o solo de teclado de Jin na introdução da balada Vampire’s Love – a única música lenta do show, além da bonita Sweet Dreams, que surgiu durante o refrão.

Capa do álbum BloodSuckers, assinada pelo artista Rockin' Jelly Bean

O resto da setlist foi simplesmente pedrada atrás de pedrada. Investindo cada vez mais em músicas diretas e pesadas, o repertório da turnê está muito baseado nos dois últimos discos da banda: a coletânea em inglês Sex Blood Rock n' Roll e o álbum BloodSuckers, que foi responsável por nada menos que oito canções do show – quase metade das 18 no total.

Está aí meu único ponto a criticar: a falta de músicas dos primeiros discos do VAMPS e também dos álbuns solo de Hyde com parceria de KAZ. Eu estava em um grupo de amigos fãs “old school” e esperávamos por alguns hits das antigas, como Hello e Love Addict. O mais próximo que a setlist chegou disso foi com algumas músicas como Angel’s Trip, Midnight Celebration (a única do repertório solo de Hyde a figurar no show) e a empolgante Devil’s Side.



Houve ainda espaço para dois covers muito bons – na verdade releituras – que já são conhecidos dos fãs da banda: Live Wire, do Motley Crue, em uma versão mais pesada, e Trouble, clássico pop da dupla inglesa one-hit wonder Shampoo, numa versão com muita guitarra e ainda bastante dançante. Recomendo as duas faixas para quem ainda não conhece o trabalho do VAMPS.

Mas para fechar esse texto eu sou obrigado a dar destaque ao grande astro da noite: Hyde. O carismático cantor não deixou dúvidas sobre o porquê de ser considerado uma das vozes mais marcantes da música contemporânea no Japão. Indo de graves a agudos potentes, e de linhas melódicas a gritos roucos, com a facilidade de quem canta sem vergonha no chuveiro, o nanico deixava boquiabertos até funcionários da casa de shows que assistiam do fundo do salão, provavelmente sem nunca terem ouvido falar de J-rock. Eu, particularmente, não sentia a mesma emoção, com relação ao J-rock, desde que ouvi Toshi cantar ao vivo no show do X Japan em São Paulo, em 2011.


SETLIST:

1. BITE 
2. WORLD'S END 
3. LIPS 
4. Live Wire (Mötley Crüe cover)
5. REPLAY 
6. GET AWAY 
7. DAMNED 
8. EVIL 
9. VAMPIRE'S LOVE 
10. ZERO 
11. ANGEL TRIP 
12. TROUBLE (Shampoo cover)
13. BLOODSUCKERS 
14. MIDNIGHT CELEBRATION (HYDE song)
15. REVOLUTION II 
16. SWEET DREAMS 
17. DEVIL SIDE 
18. SEX BLOOD ROCK N' ROLL