segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Live report: VAMPS em São Paulo

Começando este novo blog com um post sobre uma banda japonesa tocando no Brasil. Caso você goste do texto, não deixe de assinar o feed do blog, pois irei publicar muita coisa bacana sobre o Japão e a cultura japonesa a partir do final de outubro, incluindo relatos de viagem (ao Japão, claro). Também vai ter muita coisa sobre rock japonês, uma das minhas manias já há 15 anos. Então, não deixe de passar por aqui caso você queira ler mais sobre J-Rock. Passada a  introdução, vamos ao que interessa:


KAZ e Hyde

A banda VAMPS

Caso você já esteja familiarizado com a banda, pode pular direto para o relato do show, mais abaixo.
VAMPS é um grupo de J-rock um pouco diferente do habitual, pois foi pensado desde o início com foco no público internacional. Esse foco se destacou mais nos últimos dois anos, quando a banda lançou uma coletânea com regravações de várias músicas em inglês, passando a cantar majoritariamente neste idioma nos shows internacionais, que movimentam grande parte (se não a maior parte) de sua agenda.

A banda foi oficialmente formada em 2008 por dois pesos pesados do J-rock: Hyde (vocalista do L’Arc~en~Ciel, uma das bandas mais populares do Japão) e KAZ (guitarrista da banda Oblivion Dust, que fez certo sucesso nos anos 1990 no país, trazendo já um rock mais puxado para o “estilo ocidental”; KAZ também tocou no Spread Beaver, banda que acompanhava a carreira solo de hide, cultuado falecido guitarrista do X Japan).

A parceria de Hyde e KAZ começou em 2003, quando o guitarrista ajudou nos arranjos e na produção de dois álbuns solo do vocalista: 666 e Faith, ambos trazendo uma pegada muito diferente do álbum Roentgen – primeiro projeto solo de Hyde, que trazia um som mais melódico e com arranjos mais elaborados, ainda muito semelhante aos hits do L’Arc~en~Ciel. Aliás, se você gosta de L’Arc, vale muito a pena conferir esse disco, que conta inclusive com uma versão com as letras em inglês.




Em 2008, os caras resolveram “oficializar a união” (brincadeiras à parte) e criar a banda VAMPS, dando continuidade à sonoridade daqueles dois primeiros discos da parceria. Mas a partir daí parece que os caras passaram a pegar ainda mais pesado no estilo das músicas. Tocando em afinação baixa, com leves toques eletrônicos (influência de Nine Inch Nails) e vestindo totalmente a camisa da temática vampiresca, sempre com roupas pretas e elementos que lembram esse “universo Hemlock Grove”, digamos assim.

Com o nome de peso de Hyde – um ídolo pop em seu país e entre os fãs de J-music mundo afora – não foi difícil alavancar a banda logo no lançamento do seu primeiro single, I Gotta Kick Start Now. Mirando o público internacional, Hyde – acostumado a lotar estádios no Japão – parece satisfeito em voltar aos dias de banda iniciante, tocando em casas de show menores e festivais nos EUA e na Europa. Até no Chile eles já haviam tocado em 2010, ficando devendo uma passagem pelo Brasil e demais países da América Latina.




O show em São Paulo

Realizado no domingo, 27 de setembro, no Cine Jóia, um antigo cinema da comunidade japonesa transformado em casa de shows com estilo vintage no bairro da Liberdade, o show atraiu um público não muito volumoso, já que a casa tem capacidade para pouco mais de mil pessoas e estava ainda com certo espaço no fundo – provavelmente resultado da má divulgação do evento, que não foi muito além do Facebook. No entanto, o que faltou em lotação sobrou em animação dos fãs e da banda. O público brasileiro mostrou mais uma vez porque é considerado o mais entusiasmado público do mundo.

Reprodução Facebook VAMPS

Palavras de quem já assistiu a algumas bandas japonesas ao vivo: Os músicos japoneses costumam ser muito profissionais e perfeccionistas. Essa regra foi seguida à risca pelo VAMPS, com músicos de apoio que trazem na bagagem anos de estrada, como o baixista Ju-Ken (conhecido por ter tocado na banda do cantor Gackt por muitos anos), que, aliás, é um show à parte, esbanjando presença de palco e interação com o público.

O baterista Arimatsu e o tecladista Jin (que também mandava ver na percussão eletrônica em algumas músicas, adicionando uma sonoridade “metálica”) também esbanjaram habilidade. Destaque para o solo de teclado de Jin na introdução da balada Vampire’s Love – a única música lenta do show, além da bonita Sweet Dreams, que surgiu durante o refrão.

Capa do álbum BloodSuckers, assinada pelo artista Rockin' Jelly Bean

O resto da setlist foi simplesmente pedrada atrás de pedrada. Investindo cada vez mais em músicas diretas e pesadas, o repertório da turnê está muito baseado nos dois últimos discos da banda: a coletânea em inglês Sex Blood Rock n' Roll e o álbum BloodSuckers, que foi responsável por nada menos que oito canções do show – quase metade das 18 no total.

Está aí meu único ponto a criticar: a falta de músicas dos primeiros discos do VAMPS e também dos álbuns solo de Hyde com parceria de KAZ. Eu estava em um grupo de amigos fãs “old school” e esperávamos por alguns hits das antigas, como Hello e Love Addict. O mais próximo que a setlist chegou disso foi com algumas músicas como Angel’s Trip, Midnight Celebration (a única do repertório solo de Hyde a figurar no show) e a empolgante Devil’s Side.



Houve ainda espaço para dois covers muito bons – na verdade releituras – que já são conhecidos dos fãs da banda: Live Wire, do Motley Crue, em uma versão mais pesada, e Trouble, clássico pop da dupla inglesa one-hit wonder Shampoo, numa versão com muita guitarra e ainda bastante dançante. Recomendo as duas faixas para quem ainda não conhece o trabalho do VAMPS.

Mas para fechar esse texto eu sou obrigado a dar destaque ao grande astro da noite: Hyde. O carismático cantor não deixou dúvidas sobre o porquê de ser considerado uma das vozes mais marcantes da música contemporânea no Japão. Indo de graves a agudos potentes, e de linhas melódicas a gritos roucos, com a facilidade de quem canta sem vergonha no chuveiro, o nanico deixava boquiabertos até funcionários da casa de shows que assistiam do fundo do salão, provavelmente sem nunca terem ouvido falar de J-rock. Eu, particularmente, não sentia a mesma emoção, com relação ao J-rock, desde que ouvi Toshi cantar ao vivo no show do X Japan em São Paulo, em 2011.


SETLIST:

1. BITE 
2. WORLD'S END 
3. LIPS 
4. Live Wire (Mötley Crüe cover)
5. REPLAY 
6. GET AWAY 
7. DAMNED 
8. EVIL 
9. VAMPIRE'S LOVE 
10. ZERO 
11. ANGEL TRIP 
12. TROUBLE (Shampoo cover)
13. BLOODSUCKERS 
14. MIDNIGHT CELEBRATION (HYDE song)
15. REVOLUTION II 
16. SWEET DREAMS 
17. DEVIL SIDE 
18. SEX BLOOD ROCK N' ROLL

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