domingo, 27 de março de 2016

Shibuya: a Times Square japonesa

Harajuku e o Meiji Jingu, pontos comentados nos posts anteriores aqui do blog, fazem parte do distrito de Shibuya, no centro de Tokyo. No entanto, a região mais conhecida tipicamente pelo nome “Shibuya” é composta pelas ruas que circundam a estação Shibuya de metrô, reunindo muitas grifes, lojas de departamento gigantescas, restaurantes e cafés estilosos e o “Shibuya Crossing”, um dos cruzamentos mais famosos do mundo.



Onde está Wally?










O cruzamento fica logo em frente à estação Shibuya, então, se você sair nessa estação, irá dar de cara com a multidão se acumulando nas calçadas esperando o sinal verde. Essa interseção traz uma paisagem muito vista em filmes, revistas de turismo e documentários sobre Tokyo. Um dos filmes que retratam o cruzamento e outros pontos dessa região é Encontros e Desencontros, com Bill Murray e Scarlett Johansson.


Esse Starbucks oferece a vista mais privilegiada do Shibuya Crossing



No entanto, como vínhamos de Harajuku, fizemos o caminho contrário: uma bela caminhada a partir da Takeshita Dori, passando pela Omotesando (vide post sobre Harajuku), e andamos paralelamente ao trem da Yamanote Line, desembocando nas ruas da região central de Shibuya propriamente dita. A partir disso, fizemos uma bela caminhada não linear, vasculhando algumas ruas da região, quando finalmente passamos pelo famoso cruzamento. Vejam o vídeo abaixo:


Logo após passarmos pelo Shibuya Crossing, encontramos a famosa estátua do cão Hachiko, que fica bem perto da entrada da estação. Para quem não conhece a história, que já foi retratada em um filme japonês (Hachiko Monogatari) e também em um americano (Sempre ao Seu Lado), Hachiko foi um cachorro da raça akita que todos os dias ia esperar o seu dono, um professor universitário, na frente da estação Shibuya. Certo dia, o professor faleceu repentinamente, porém Hachiko continuava a esperá-lo todos os dias na frente da estação durante sete anos, até a sua morte. Por essa história comovente, Hachiko é símbolo de lealdade e amizade para os japoneses, e a raça akita é considerada patrimônio do Japão pelo governo.

Hachiko (fonte: Wikimedia)

A estátua de Hachiko foi colocada em frente à estação Shibuya em 1934, feita em bronze, e atrai uma fila de turistas que desejam tirar fotos com ela. Também é muito mais bonita que a estátua comemorativa colocada em frente à loja Tower Records Shibuya (vide post anterior). :P

A estátua de Hachiko, em frente à estação Shibuya

Passear por Shibuya é uma imersão no que há de mais moderno no estilo de vida japonês. A combinação de prédios com arquitetura moderna e imponente e a diversidade de lojas fashion fizeram a região ser conhecida como a “Times Square do Japão”, atraindo muitos turistas. Por esse aspecto cosmopolita, é uma região onde é mais fácil encontrar atendentes que falem inglês nas lojas.




A loja da Disney destoando totalmente do prédio estilo Gotham City é no mínimo curioso

Placa da churrascaria brasileira Barbacoa, do lado esquerdo, indica que há uma unidade no 7º andar



Há várias lojas nessa região em que os atendentes falam bem o inglês. Uma delas é a Onitsuka Tiger, que nada mais é do que a linha vintage da fabricante de tênis japonesa Asics. Onitsuka Tiger na verdade é o nome original da empresa, que passou a se chamar Asics em 1977, mas ressurgiu como uma marca à parte no início dos anos 2000. Seus designs ficaram muito famosos no ocidente devido ao modelo amarelo e preto Mexico 66 ter sido usado por Bruce Lee no filme Jogo da Morte, e posteriormente revisitado por Uma Thurman, como uma homenagem do diretor Quentin Tarantino, em Kill Bill Vol. 1.


Lembra desse tênis?

Apesar de estarem muito próximas, as redondezas das estações Harajuku e Shibuya trazem públicos diferentes, pelo menos no capricho da indumentária. Enquanto Harajuku atrai cosplayers e estilos como gótico, Lolita, punk e visual kei, Shibuya reúne um público menos extravagante, mas ainda assim muito ligado à moda e estilo.  É uma região onde convivem lojas japonesas, como Parco e Shibuya 109 e marcas ocidentais, como Zara e Forever 21. Além das grandes lojas, há muitas butiques menores, mas com roupas e vitrines criativas.







Depois de tanta caminhada, nada mais justo do que uma pausa para o almoço. Em Shibuya, assim como em outros bairros de Tokyo, é muito comum encontrarmos restaurantes e cafés no interior de prédios comerciais e lojas de departamento. O restaurante para o nosso primeiro almoço no Japão ficava no subsolo de um prédio. Surpreendentemente, apesar de ser uma região de consumo de alto nível, os preços eram bem razoáveis, em torno de 800 a 1000 yen.

Uma curiosidade: No Japão, assim como em outros países desenvolvidos, é comum você ser recebido com água ou chá à vontade na mesa. Esse costume de servir chá como cortesia inclusive foi incorporado por alguns restaurantes do Bairro da Liberdade, em São Paulo.




Shibuya é uma região em constante e rápido desenvolvimento. No avião, a caminho do Japão, assisti a um episódio da série de documentários Tokyo Eye 2020 específico sobre o distrito, em que o apresentador, Chris Peppler, dizia que cresceu em Shibuya, e que a paisagem era sempre diferente, com novos arranha céus surgindo frequentemente. Atualmente, a região passa por mais uma reestruturação, visando ao potencial de novos turistas que deverão surgir com os Jogos Olímpicos de Tokyo, em 2020. Novos complexos culturais e comerciais estão sendo erguidos, além do alargamento de calçadas e reorganização de vias. Isso explica a presença de guindastes e trechos em obras na região.






Olha o Astro Boy!

Uma escola para jovens cantoras/atrizes, filão muito explorado na indústria pop japonesa

No Japão não é comum fumar no meio da rua, por isso há os fumódromos

Outro fumódromo em frente à estação Shibuya

Essa foi a única vez que vimos moradias irregulares durante a viagem

Bem próximo ao Shibuya Crossing. Será que ainda estarão lá em 2020?

Para finalizar com coisa boa, fiquem com esse vídeo que gravamos de um filhotinho de cachorro em um pet shop em Shibuya.


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