domingo, 13 de março de 2016

Tower Records Shibuya: o paraíso dos colecionadores de CDs

Já que no último post falei de um lugar relacionado à música, vou continuar com esse tema, contando um pouco sobre uma parada obrigatória para os fãs de música em Tokyo (principalmente se você ainda mantém uma coleção de CDs ou DVDs de shows): a Tower Records Shibuya.







Com seu slogan “NO MUSIC, NO LIFE” e um prédio imponente de nove andares construído há 20 anos a poucos minutos da estação Shibuya, a loja é um símbolo de resistência do mercado japonês de mídia física. Enquanto no mundo todo os serviços de streaming e downloads despejam uma pá de terra a cada dia sobre a indústria de CDs, no Japão – o maior mercado de música do mundo – a situação é o oposto: serviços como Spotify, altamente popular no ocidente, têm muita dificuldade em conseguir contratos com as gravadoras japonesas. Por esse motivo, é tão difícil achar muitos discos de artistas japoneses nesses serviços.

Pôster com Ken Yokoyama, líder da banda Hi-Standard

A Tower Records também tem sua estátua de Hachiko, em comemoração aos 20 anos da loja em Shibuya

Exemplo disso é que, em 2005, a própria Tower Records Japan firmou uma parceria com o Napster, numa tentativa de apostar no crescimento do mercado de música digital no país. O resultado foi que, em 2010, a parceria foi desfeita, com o Napster saindo do Japão por “dificuldades financeiras”. Uma matéria do The New York Times publicada em 2014 também abordou essa peculiaridade do mercado japonês de música, dizendo que “as vendas digitais - em alta nos demais mercados importantes - estão em queda veloz no Japão, despencando de quase US$ 1 bilhão (R$ 2,48 bilhões) em 2009 para apenas US$ 400 milhões (R$ 992 milhões) em 2013”.

Uma curiosidade é que a rede Tower Records começou na Califórnia, em 1960, mas a operação global foi encerrada em 2006. As lojas remanescentes em alguns países, como no Japão, continuam a operar por terem adquirido o uso da marca em algum momento. No caso da Tower Records Japan, a atuação no país começou em 1979, mas em 2002 a operação se tornou independente – apenas quatro anos antes da falência da matriz americana.

Outro ponto digno de nota é a preferência dos japoneses pelos artistas locais. Dados publicados pelo site Music Business Worldwide em 2015 mostram que os números de vendas de artistas domésticos comparados aos de artistas internacionais no país trazem uma diferença absurda: 89% japoneses (e este número cresceu em relação ao ano anterior) contra 11% internacionais. A própria Tower Records, além de ser a maior rede varejista de CDs do Japão, possui um selo apenas para promover idols – um dos filões mais populares do J-Pop -, a T-Palette Records.

Fonte: Music Business Worldwide


Some a isso o apreço dos japoneses pela estética e por itens colecionáveis, e temos o segredo para a longevidade da Tower Records. Quando comecei a ouvir J-Rock, no final do século passado (!!!), um dos pontos que me chamou a atenção foi o capricho das embalagens dos CDs. Geralmente utilizando materiais diferentes do estojo padrão, com muito uso de cores, transparências e efeitos estilosos na impressão dos encartes. Abaixo, coloquei algumas fotos que encontrei na net de CDs que me chamaram a atenção naquela época, apresentados por um amigo que trazia esses itens do Japão.








E que tal essa embalagem triangular do CD do PETROLZ, banda liderada por Ryosuke “Ukigumo” Nagaoka, que vi por lá?



Ou esses CDs do Luna Sea com embalagem de lata exclusiva da loja?


Isso faz da Tower Records o paraíso dos colecionadores de CDs e DVDs. Como fã de música japonesa, tive que me dar um presente, e comprei o “Sheena Ringo LiVE” – um Box contendo oito blurays de shows desta cantora japonesa da qual ainda irei falar mais em um post futuro. Olha o nível de capricho.





Mesmo que você não seja fã de música japonesa, mas seja apreciador de música em geral e tenha uma pequena coleção de CDs, vale a pena conferir a Tower Records Shibuya. Afinal, em seus nove andares, há espaços exclusivos para música ocidental de vários estilos, além de um café, um restaurante no terraço e espaço para apresentações e meet & greets. As gravadoras costumam lançar versões exclusivas para o mercado japonês de lançamentos ocidentais, incluindo faixas bônus e embalagens diferentes, e muito desse material pode ser encontrado na loja.

Guia de andares da Tower Records Shibuya

Ainda bem que tem elevador

Falando em meet & greet, uma historinha interessante: No dia em que estivemos na loja, enquanto esperava a Erika voltar do banheiro, me deparei com um “robô” estilo mangá dos anos 70 vindo em minha direção, seguindo de uns sujeitos de roupa prateada. Acabei puxando conversa com os caras, misturando o básico de inglês que eles entendiam e algumas palavras de japonês que eu conseguia entender, e descobri que eles eram integrantes da banda Katokutai, e estavam ali para o lançamento de seu disco. A banda é especializada em fazer versões rock de temas de seriados antigos, como Ultraman e Ultraseven. Contei para eles que no Brasil os super-heróis japoneses eram muito populares, e citei alguns nomes de personagens dos anos 80, como Jaspion e Jiraya. Eles ficaram muito contentes em saber disso, respondendo impressionados com “Oooh! Sugoooi!”.



Encerro esse post com o clipe épico da versão do Katokutai para o tema de Ultraman Leo, no qual a banda destrói a cidade enquanto toca, como verdadeiros gigantes guerreiros (se entender a referência, ganha o apreço deste que vos escreve).



Saiba mais:
Tower Records Shibuya (site oficial)
Tower Records (Wikipedia)
Making of do poster de Ken Yokoyama
The New York Times: “Japoneses ainda preferem CD para consumir música”
Music Business Worldwide: “CD sales remain rock solid in Japan – but J-Pop has a stranglehold”
PETROLZ tocando a música "Profile"
Ryosuke Nagaoka tocando a música "Ame" ("Chuva")
Sheena Ringo Official VEVO
Blu-ray BOX LiVE / Sheena Ringo (página oficial)
Katokutai Band (site oficial)


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