segunda-feira, 25 de abril de 2016

Shinjuku: onde a multidão nunca para

Shinjuku, assim como Shibuya, é um dos distritos que compõem a área mais comercial de Tokyo. Basicamente, em nossa visita, o que vimos foi isso: um emaranhado de lojas e mais lojas, que se espalhavam por prédios ou butiques para todos os estilos. Para o turista ocidental, mesmo que você não planeje comprar roupas, acessórios e perfumes, vale a visita para observar a multidão que caminha pelas ruas de aspecto metropolitano, à luz dos letreiros multicoloridos das lojas.

A região é uma das mais economicamente ativas de Tokyo, com prédios que abrigam escritórios de grandes empresas japonesas e também estrangeiras que exercem atividades no Japão. A estação Shinjuku é a mais movimentada do mundo de acordo com o Guinness – o livro dos recordes -, com uma média diária de 3.64 milhões de passageiros. É gente pra caramba trabalhando e consumindo  nos 18 quilômetros de área do distrito.























Estação de segurança para o caso de terremotos



Locais onde o cliente pode curtir um tempo a sós em uma cabine com home theater, poltrona confortável e... chuveiro.

Kabukicho


Shinjuku também é conhecida pela vida noturna agitada, para os padrões japoneses. Kabukicho é um pedacinho do distrito que é conhecido por ocidentais como o “bairro da luz vermelha” de Tokyo, por reunir casas noturnas, hostess clubs (casas de acompanhantes em que os japoneses pagam para conversar com jovens garotas, e, quem sabe, conseguir o telefone delas - algo como uma versão atual do serviço das geishas mais populares) e love hotels (motéis japoneses famosos pelos quartos temáticos).

Portal de entrada de Kabukicho



Aquela foto básica de turista...

Kabukicho - cujo nome surgiu de um teatro kabuki que seria construído ali nos anos 1940, mas nunca virou realidade - possui essa fama de bairro de entretenimento adulto, que é retratada pela cultura pop. Apenas para citar alguns exemplos, a série de videogames Yakuza e os mangás City Hunter, Heat e Gintama trazem versões fictícias do bairro. A música Kabukicho no Joou, da cantora Sheena Ringo, conta a história de uma prostituta que se tornou a “rainha de Kabukicho” (tradução do título da canção). O filme Map of the Sounds of Tokyo, com a atriz Rinko Kikuchi, mostra com romantismo os quartos temáticos dos love hotels.



Apesar de toda essa fama, antes da viagem cheguei a ler em alguns noticiários que a região vem passando por uma espécie de “limpeza” para torná-la um ambiente mais familiar com a chegada de um maior volume de turistas atraídos pelos Jogos Olímpicos de 2020, em Tokyo. De fato, em nossa rápida passagem por lá, vimos até famílias com carrinho de bebê circulando à noite, e nada de love hotels, pelo menos de forma evidente para turistas.



Fachada de um hostess club

Com o artista de shodo (caligrafia japonesa) Yuugen Hayashi, que circulava por Kabukicho

Mas valeu a visita pelo menos para ver a cabeça do Godzilla saindo do topo do cinema da Toho e por sairmos de cara com o Omoide Yokocho, uma ruela repleta de restaurantes bons e baratos no estilo yakitori, o espetinho japonês – assunto do próximo post.

Olha o Gojiraaa!!



Portal de entrada do Omoide Yokocho, uma ruela que reúne pequenos restaurantes

Para encerrar, deixo aqui uma curiosidade do idioma japonês e da geografia japonesa - cortesia da Erika: O sufixo “cho", de Kabukicho, se refere a bairro (como em Kabukicho) e o sufixo “ku” se refere a distrito (como em Shinjuku). Sendo assim, observamos que, na verdade, Shinjuku, assim como Shibuya (comentada no post anterior), são oficialmente distritos dentro da província de Tokyo. Ao contrário do que dizemos no ocidente para fins de simplificação, Tokyo deixou de ser considerada uma cidade em 1943, quando obteve o status de província e englobou 23 distritos (que recebem a denominação “shi”) e mais 39 cidades ou vilas.

Mapa das subdivisões de Tokyo (Fonte: Wikimedia)

A sede do Governo Metropolitano de Tokyo fica justamente localizada em Shinjuku.

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