sexta-feira, 28 de abril de 2017

Omoide Yokocho: um dos becos gastronômicos de Tokyo

Caminhávamos em Shinjuku em busca do portal de Kabukicho (assunto do post anterior), quando acabamos entrando em uma ruela repleta de pequenos restaurantes em que se come no balcão (estilo izakaya). Tratava-se do Omoide Yokocho, ou “Rua da Memória”, que depois descobrimos se tratar de um ponto turístico bem tradicional que remete à época pós Segunda Guerra.







Por volta de 1946, com Tokyo devastada, sugiram esses pequenos estabelecimentos de forma favelizada na região, dando origem a essas ruazinhas com clima de filme de yakuza, onde se reúnem salarymen, turistas e demais transeuntes em busca principalmente da combinação de bebida (cerveja, sake ou shochu) e comida rápida. Hoje, mesmo com a constante modernização de Shinjuku, becos como esse e o Golden Gai se mantém preservados como uma lembrança histórica e um destino essencial de viagem.




Optamos por comer yakitori,  o espetinho japonês, cujo nome significa literalmente “frango frito”, mas acabou servindo de rótulo para toda a categoria de espetinhos feitos no fogo a carvão. Uma comida tão popular quanto nosso “churrasquinho de gato”, mas feita em fogo mais alto e com maior variedade de ingredientes, incluindo, além de carne e frango, vegetais diversos, cogumelos, frutos do mar e fígado bovino.




A maioria dos restaurantes não fazem questão de oferecer menu em inglês, pois são focados em seu público habitual, mas os que oferecem deixam isso claro com placas na fachada. Acabamos optando por um desses, que provavelmente é bem popular: o Fukuhachi, que, segundo uma matéria publicada nos anos 90 pelo jornal The Honolulu Advertiser colada na parede do restaurante que fotografei para ler depois, já está na segunda geração de “mestre”, sob o comando de Hatsuzo Muraoka, e uma mulher que deve ser sua esposa.







Hatsuzo faz o tipo caricato do cozinheiro japonês de cara fechada, dominando a grelha com maestria enquanto serve vários clientes. Entre um espetinho e outro, Erika trocou algumas palavras com ele em japonês e descobriu que a moça numa foto com Michael Jackson na parede era sua filha, que trabalha nos Estados Unidos. Provavelmente daí surgiram as placas com os nomes Broadway e New York penduradas na parede, que também é ornamentada por um painel com cédulas de dinheiro de vários países, deixadas por clientes.







Os espetinhos são um show à parte, com destaque para as ostras. Mas, como não adianta descrever o sabor das coisas, deixo vocês com as fotos das guloseimas:








O yakitori certamente é mais uma especialidade japonesa que deixa saudades, então certo dia acabamos conhecendo um restaurante em São Paulo que segue o mesmo estilo de pedir os espetos individuais e conferir o prejuízo no final, e com um ambiente que lembra muito os izakayas do Japão. Trata-se do Yakitori Mizusaka, localizado em um pequeno espaço numa galeria pertinho da Av. Paulista, e comandando por um chef de Hiroshima, que assiste aos jogos de baseball de seu time japonês favorito enquanto prepara os espetos. Para os fãs de yakitori ou para quem quer conhecer o estilo, vale a visita.




Para quem quiser conhecer mais sobre a cultura de izakayas no Japão, recomendo duas séries disponíveis no Netflix: Midnight Diner e Samurai Gourmet. Food porn de primeira com boas e leves histórias.



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